TODO MUNDO TEM ROSA NA PELE Seguir o Blog!
HELIO RODRIGUES
- Como é que se faz cor de pele? Muitas crianças já me perguntaram isso inúmeras vezes e a minha resposta sempre foi ocupada por uma outra pergunta: - Que pele? São muitos os tons, são muitas as peles. E lá ia eu aproximando os braços da galera para mostrar as diferenças; não só entre os claros e escuros, mas também para perceberem a presença dos verdes, azuis, amarelos e vermelhos que dão cor às nossas peles. Mas existe uma cor em especial que parece muito importante para eles: o rosa. Eu diria que essa é uma cor cheia de significados. Acredito que fale de afeto, acolhimento, proteção, alimento, feminino, sensível, mãe. Há cores que colorem e outras que pintam porque registram vontades. O colorir é mais superficial e o pintar transcende o simples efeito ótico ou a estética formal que nos induz a fazer o belo. Já vi o rosa pintado em muitos trabalhos; acho que ele ganha importância quando o autor quer ou precisa lidar com esses sentimentos. Já vi potes e caixas produzidas por crianças e adolescentes e pintadas por fora de preto, cinza, azul ou vermelho sombrios e, por dentro, cuidadosamente aplicado, um rosa luminoso. Já vi colagens, recortes de violência em fotos, revestindo esses recipientes de contenção e de novo o rosa estava lá, deixando seu registro na parte de dentro. Já vi palitos pontiagudos em toda a volta de um pote de argila, como se estivessem protegendo um pequeno interno carregado de grossas camadas de rosa. Já vi o rosa preenchendo um grande sol no papel, como se quisesse dar mais sensibilidade ao que ele simboliza para a criança. Enfim, como somos todos diferentes, cada pele tem sua dose de mistura de cores, mas uma coisa posso afirmar: Todo mundo tem rosa na pele e isso é uma das coisas que nos une em nossas diferenças. Uma base sólida, porque traz significados que estabelecem contato com sentimentos tão fundamentais quanto comuns a todos nós. As vezes em que eu trouxe essa afirmativa para os grupos de crianças e adolescentes, senti a força que tem essa manifestação nos olhares e atenções de todos. Parece que a “feminilidade” do rosa dá partida a uma revisão de valores e opiniões sobre si mesmo e o outro. Começamos então assim: Branco mais vermelho para produzirmos o rosa. Em seguida as outras cores. Alguns tem mais, outros têm menos amarelo, assim como o verde e o azul que nos ajudam a produzir os tons mais escuros de pele.
Tags: arte-educação




Leia também: Os Hiperativos


powered by eLearning fit