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12/07/2009. HELIO RODRIGUES
[atualizado em 16/02/2017]
Ilustração de Thomaz Simões e suas filhas Eduarda (11 anos) e Stela (5 anos)
Indivíduos que apresentam esse tipo de sintoma são em geral perfeccionistas, portanto amigos inseparáveis da borracha e da insatisfação. Têm uma tendência aos estereótipos em suas produções e no comportamento social. Tornam-se muito próximos da insegurança e por isso, poucos exercitam ou desenvolvem a própria identidade, o que os torna aparentemente pouco criativos e alguns até afirmam se dizendo desinteressados pela arte. Como arte e identidade se abastecem uma da outra, temos aí, possivelmente, crianças, adolescentes e futuros adultos com falsas escolhas e expressões. Para tentar driblar os efeitos da falta de autoaceitação que tanto dificultam o processo de auto identificação, alguns jovens se isolam outros tentam driblar suas frágeis identidades individuais reproduzindo personagens que parecem facilitar a inserção social. É quando alguns se tornam irreverentes, transgressores...sem qualquer tipo de suporte ideológico. Tudo por uma suposta identidade social. No fundo todas as crianças sabem que a arte e a legitimidade são grandes amigas, mas as que se encontram aprisionadas pelos acertos, tendem a produzir principalmente estereótipos na arte, mas nem sempre, às vezes projetam relações genuínas somente naquilo que consideram espaço seguro para o eu, como é o caso dos desenhos em bloquinhos de papel, diários escondidos, cantinhos do fichário. Esconderijos. A possibilidade de expressão oferecida pela arte, somada ao desenvolvimento de uma linguagem própria que ela provoca, toca num assunto delicado e quase sempre “anestesiado” nos indivíduos que apresentam esse tipo de dificuldade. Portanto são naturais as atitudes de resistência que iremos encontrar em crianças e jovens com essas características. A maioria das propostas apresentadas em aula parecem sempre não representar seus verdadeiros interesses, muitas vezes desestimulando os próprios orientadores se esses não se mantiverem atentos a essas atitudes percebendo-as como sintomas. O estímulo e a valorização de tudo que puder ser observado no aluno, pelo orientador, como expressão legítima é um passo importante nesse processo de desvendamento daquilo que realmente lhe pertence e consequentemente o identifica. Esse processo de valorização de suas próprias soluções o levará também à seleção de seus interesses e à colocação de suas opiniões no meio social.
Tags: arte-educação, identidade, perfeccionismo




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