Nicolás Paris, artista plástico: "Cada pessoa terá seu processo de aprendizado" Seguir o Blog!
01/11/2017. RAYANDERSON GUERRA
"Já expus trabalhos na França, Espanha, Brasil e na Colômbia, meu país. Fui professor de tudo para crianças em uma área rural, sem nunca ter lecionado antes. Tive que reinventar minha forma de aprender e ensinar. Gosto do complexo, de como a arte pode ser entendida como um processo conjunto." Conte algo que não sei. Estamos sempre desenhando. Um carpinteiro está combinando os elementos básicos ao construir uma cadeira; um escritor está combinando linhas retas, curvas, pontos e círculos para fazer uma história. O mesmo acontece com um matemático numa equação. Sempre estamos desenhando. Quando caminhamos na areia da praia, deixamos linhas e pontos, que são rastros do nosso caminhar. O desenho é uma forma de projetar nossas ideias. Como você desenvolve uma exposição ou projeto? Não gosto das coisas diretas, gosto do complexo. Um interesse que tenho é a aprendizagem: como aprendemos, como fazemos conexões por associação. Os projetos que desenvolvo com museus e instituições culturais são para envolver um diálogo entre a educação e práticas curatoriais. Tentar que todos desenvolvam ou construam ambientes de aprendizagem, de intercâmbio. Gosto da ideia de entender a exposição como uma obra aberta. E como aliar o processo artístico ao pedagógico? Toda obra de arte é um material pedagógico, seja um livro ou uma peça plástica. São ferramentas que me ajudam a fazer conexões, a entender meus pensamentos e a puxar minha percepção para novas dimensões. A arte é uma área de conhecimento, e temos a responsabilidade de produzir reflexões. Mais do que explicar conteúdos , devemos criar hábitos de trabalho e de questionamento. O que você espera que as pessoas aprendam? Não espero nada delas. Não quero ser um professor. Não quero depositar conhecimento. Quero construir ambientes para que as pessoas possam decidir o que querem aprender. Toda obra é o início de uma experiência. O resultado é responsabilidade do espectador, não minha. Acredito que esta é uma boa estratégia para nos emanciparmos, para tomarmos decisões sobre a forma como queremos habitar, seja a cidade, o museu ou a sociedade. Pouco a pouco, cada pessoa será responsável pelo seu processo de aprendizado. Mas você já foi professor. A experiência nas salas de aula não influencia sua arte? [ ... ]
Tags: arte-educação, pedagogia








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