Blog do Helio Rodrigues

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"COM A ARTE DESENVOLVEMOS A NOSSA ESCUTA, AMPLIAMOS O NOSSO OLHAR, NOS IDENTIFICAMOS. SEM A ARTE NOS TORNAMOS REPETIDORES DO PREVISÍVEL." Helio Rodrigues




Desconstrução e Arte
24/07/2017. HELIO RODRIGUES
Processo de desconstrução com Stela (5 anos)
A desconstrução é uma ação ou pensamento que fragmenta afirmativas, conclusões e crenças sem fundamento. Ela pode ou não levar à construção de uma nova ordem. Já a reconstrução seria a tentativa de retomada de antigos valores. No caso da arte, não acredito em processos ditos reconstrutores. Eles só cabem aos restauradores. A arte não restaura; ela pode construir, desconstruir ou transformar. Pensando agora na arte-educação, uma boa motivação para se fazer uso de propostas artísticas com propósitos desconstrutores, são os preconceitos. O preconceito costuma ser construído a partir de afirmativas criadas para atender aos processos de resistência que vão sendo instalados num indivíduo. Um preconceituoso reage às transformações porque, para ele, elas fragilizam suas defesas. Para se lidar com uma ocorrência como essa, dentro do ambiente educacional, é bom lembrar que discursos dificilmente modificam verdadeiramente as opiniões do preconceituoso; talvez eles apenas controlem. No entanto, ações que produzem ganhos podem promover mudanças bem significativas. As ações artísticas são um exemplo de bons resultados. Elas são a prática em si e, por serem artísticas, se desenvolvem no ambiente da subjetividade e esse ambiente naturalmente instiga à reflexão. Ora, toda reflexão está relacionada à mudanças. Sobre os ganhos que mencionei acima, nos ambientes artísticos eles ocorrem também a partir dos processos de desconstrução. Por exemplo: na arte as fragmentações e as quebras, sejam a partir de ações propositais ou simples ocorrências, podem muitas vezes multiplicar possibilidades de ver e interpretar algo. Sendo que, quando elas são apontadas pelo educador, mais facilmente podem se tornar conquistas do aluno. Há nessa experiência um ganho de autoestima que foi proporcionado por uma interrupção, no caso representada pela quebra, pela fragmentação, pela desconstrução de algo que até então se afirmava pronto. Sugestões de propostas desconstrutoras podem ser encontradas no App Arte Conecta.
Tags: arte-educação, desconstrução, transformação




Os certos e os errados
27/09/2009. HELIO RODRIGUES
[atualizado em 26/07/2017]
Era a minha primeira supervisão para os professores daquela escola. Quase todos já se encontravam reunidos numa sala discutindo seus programas de ensino. O meu objetivo era levar o grupo à reflexões sobre as relações que vinham estabelecendo com seus alunos. Enquanto esperava, chegou uma professora de artes e a partir de uma pergunta que ela me fez desenvolvemos uma conversa bem interessante a respeito dos critérios que algumas pessoas adotam para justificar a discriminação dos “certos” e dos “errados” na arte. Ela me disse que essa era uma questão muito presente em sua turma de adolescentes É sem dúvida um assunto muito vasto que muitas vezes tem origem em pequenos grupos humanos que agem com esses recursos para manter algum tipo de controle social. A favor disso existe uma aparente comodidade oferecida por tudo que é comum, ordinário e o incômodo que passam a causar as ações extraordinárias. Para trazer o assunto da teoria para uma experiência artística, sugeri à professora uma proposta que instigasse pensar essa questão em seu grupo de adolescentes. Propus uma atividade dividia em dois momentos: No primeiro momento o professor ensina técnicas simples para a confecção de utilitários em argila (aquelas técnicas tradicionais, encontradas em qualquer publicação para iniciantes na cerâmica). No segundo momento, a ideia é propor aos alunos que interfiram produzindo mudanças pessoais nessas peças, como amassados, cortes e deformações. Com os resultados obtidos no primeiro e no segundo momento , discutir as diferenças criativas entre os processos que são seguidos passo a passo e os que são desenvolvidos considerando as soluções particulares. Durante o debate, sugiro que sejam levantadas as possibilidades identificadoras que são oferecidas pelas diferenças. Chegou o horário da nossa supervisão e entramos na sala. Foi quando pude ainda escutar o final da conversa entre um professor e uma professora. O assunto era sobre uma "técnica" que um deles vinha aplicando para conter o grupo. Ele separava seus alunos em duas “colunas”: uma para os alunos que valem a pena porque se interessam e a outra reservada para os que só atrapalhavam. Escutar aquilo me mostrou que o que vinhamos conversando sobre certos e errados precisava ser na verdade o tema daquele encontro. Mudei a linha de propósitos que eu havia construído para aquela supervisão e lancei um tema para discutirmos: O que é qualidade na arte? Fui confiante, porque certamente os certos e errados seriam parte importante desse assunto.
Tags: arte-educação

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Eventos

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Exposição no MuMA quebra divisões de condições sociais
10/01/2017. DA REDAÇÃO
Se criar uma obra de arte é algo complexo, imagine a experiência de fazer isso em conjunto com outra pessoa, e que tenha uma realidade social distinta da sua. O resultado deste trabalho pode ser visto até domingo (15), na exposição “No espaço entre nós”, que acontece no Museu Municipal de Arte (MuMA), no Portão Cultural, em Curitiba. A proposta da exposição era reunir telas da autoria de adolescentes de 12 a 15 anos, da favela e da classe média. Em duplas, os jovens criaram sem se conhecer pessoalmente, com a tela indo e voltando para que um desse continuidade ao que foi feito pelo outro. Ao todo foram compostas 36 mandalas, e os grupos de origens distintas só se conheceram na primeira exposição, em agosto do ano passado, no Museu da República, no Rio de Janeiro. A iniciativa foi do arte-educador Helio Rodrigues, que instigou os jovens a refletir a partir de três questões: Como eu trato as distâncias (sociais, econômicas) que nos separam? O que pode me aproximar do “outro” aparentemente tão diferente de mim? Como posso pensar ou solucionar com arte o espaço vazio que existe entre nós? [ ... ]
Tags: arte-educação, socialização






No Espaço entre Nós
ZANE GARNIER
Exposição ‘No Espaço entre Nós’ leva ao Museu da República uma instalação interativa do escultor Helio Rodrigues. Uma obra em que os coautores são adolescentes da favela e da classe média carioca que foram misturados pela arte. "A exposição 'No espaço entre nós' é uma instalação otimista, porque aponta para a possibilidade de reduzir conflitos usando a arte como mediadora. Apesar de parecer muito simples e para muitos uma ideia romântica, a força da linguagem artística para tratar problemas sociais tão eminentes como os nossos, ainda é pouco explorada. A arte aproxima, liga. Na verdade a arte salva porque se nutre e se fortalece justamente com as diferenças”, diz Helio Rodrigues. Há muitos anos trabalhando como artista e como arte-educador respectivamente, recentemente Helio passou a integrar sua arte às suas experiências arte-educacionais. “Fui motivado pela urgência criativa e pela presença da intolerância que venho assistindo entre as crianças economicamente privilegiadas e as crianças e jovens da periferia social.” Depois de algum tempo coordenando trabalhos arte-educacionais em espaços físicos e economicamente diferentes, ou seja, crianças e adolescentes de favela ou crianças e adolescentes de classe média, surgiu a necessidade de discutir com alguns jovens representantes desses dois grupos, esse grande vazio existente entre eles; um vazio que é quase sempre promotor da intolerância e até da violência. Para promover essa discussão, a palavra foi substituída pela arte. Uma experiência que resultou em um importante diálogo além de ricas reflexões para esses jovens. Todo o processo até chegar à exposição foi desenvolvido durante alguns meses por uma equipe de arte-educadores e de adolescentes voluntários que tiveram como ponto de partida o desafio de pensarem e agirem artisticamente a partir das seguintes questões: - Como eu trato as distâncias (sociais, econômicas etc.) que nos separam? - O que pode me aproximar de um “outro” aparentemente tão diferente de mim? - Como eu posso pensar ou solucionar com arte o espaço vazio que existe entre nós? Com o apoio de suas imagens físicas transformadas em sombras (com o auxílio do teatro chinês) e também de tintas, bastões, papéis... esses jovens foram provocados a trazerem suas ideias e torna-las expressão fazendo uso desses recursos. A proposta de se tornarem todos sombras, fez com que eles abandonassem suas imagens exteriores, em geral tão conectadas às suas identidades sociais, para assim buscarem expressão unicamente na linguagem artística. Os jovens dos dois grupos, com idades entre 12 e 15 anos foram misturados para compor as 36 mandalas expostas em movimento pela animação criada por Marcos Magalhães e sonorizadas por depoimentos dos participantes que foram filmados por Mauricio Salles. Até o momento, os dois grupos não se conhecem e só se encontrarão dentro do espaço expositivo do Museu em uma pré inauguração reservada às vésperas da abertura da mostra, dia também reservado para a imprensa. (ver data abaixo) Além da instalação com forte apelo audiovisual, o público poderá também interagir, produzindo soluções com réplicas reduzidas em sombras imantadas que se movimentam sobre caixas de luz e materiais de arte que estarão disponíveis. Os trabalhos criados irão para o Facebook da mostra, e os visitantes poderão guardar e compartilhar suas criações, com a hashtag #noespacoentrenos. Depois de alguns meses de desenvolvimento desse trabalho, a exposição: No Espaço entre Nós, chega ao Museu da República onde ficará exposta ao público a partir do dia 6 de agosto. Serviço: Exposição ‘No espaço entre nós’ – Instalação de Helio Rodrigues Abertura da exposição reservada para o encontro dos jovens participantes e imprensa: Dia 4 de agosto entre 14:00 e 15:30 H. Exposição ao público: De 6 de agosto a 4 de setembro de 2016 Funcionamento: Quinta e sexta-feira, das 11h às 17h. Sábado e domingo: das 12h às 18h Museu da República. Sala de Arte-Educação. Rua do Catete, 153 – Catete. Telefone: 2127-0324 Classificação livre Grátis
Tags: arte-educação, diálogo através da arte, diferenças, exposição
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